
“Carreira da Índia” foi a designação atribuída à ligação marítima entre Lisboa e os portos da Índia (Cochim e Goa), a qual – após a viagem precursora de Vasco da Gama em 1497/1498 – perdurou durante mais de três séculos (até à centúria de 1800), constituindo-se na maior e mais prolongada rota de navegação à vela.
A pretexto desta extraordinária rota veleira – exclusivo português durante cerca de 100 anos, até à primeira expedição neerlandesa de 1595 –, o blogue Carreira da Índia pretende “reviver” um pouco da História dos Descobrimentos, a par da recuperação de algumas páginas da chamada “Literatura de Viagens”.
Procurando assegurar a regularidade requerida numa empreitada desta natureza, por aqui me proponho ir apresentando notas de enquadramento e sobre os antecedentes da grande epopeia marítima dos Descobrimentos, em paralelo com o desfilar dos protagonistas da História e da relação das viagens à Índia efectuadas até meados do século XVI (1547).
E, “dando a palavra aos heróis” dessa esplêndida aventura, excertos dos seus “Diários de Viagem” (Roteiros e Diários de Bordo), procurando beneficiar também da vertente diarística facultada pelo formato de publicação “blogue”:
- desde o “Roteiro da Índia” (ou “Roteiro da Viagem que em Descobrimento da Índia pelo Cabo da Boa Esperança fez D. Vasco da Gama em 1497”), diário de bordo da viagem inaugural, atribuído a Álvaro Velho (tripulante dessa comitiva), publicado em 1838;
- passando pela famosa “Carta a D. Manuel sobre o Descobrimento do Brasil”, de Pêro Vaz de Caminha, relatando o “achamento” do Brasil, em 1500;
- ou pelo relato de uma das últimas viagens do século XVI, no centenário da expedição pioneira, numa narrativa do que alcançou o lugar de piloto-mor do Reino, Gaspar Ferreira Reimão (“Diário da navegação da Nau São Martinho, em viagem para a Índia, no ano de 1597”).
Sem esquecer a referência a outros autores – também “testemunhas oculares”, na generalidade –, e com espaço para, “abrindo horizontes”, para além da estrita “Carreira da Índia”, viajar até ao Médio e Extremo Oriente, África Oriental e Ásia Central, nomeadamente com:
- Gomes Eanes de Zurara (“Crónica da Guiné”, de 1453);
- Duarte Pacheco Pereira (numa descrição factual da exploração da costa africana pelos navegadores portugueses, em “O Esmeraldo de Situ Orbis”, alegadamente escrito entre 1505 e 1508);
- Gil Vicente, considerado o “pai do teatro” em Portugal, com o “Auto da Índia”, de 1509;
- Frei Tomé Pires (sobre o Reino da Pérsia, em “Suma Oriental”, um “tratado” de geografia, escrito entre 1511 e 1516);
- D. João de Castro (“O Roteiro do Mar Roxo”, ou “Roteiro que fez Dom Joam de Castro da Viagem que Fezeram os portugueses Desda India atee Soez”, de 1540, incluindo diversas tábuas e esboços topográficos, ilustrando as descrições geográficas do texto);
- Padre Francisco Álvares (As Terras do Preste João, na “Verdadeira Informação do Preste João das Índias”, de 1540);
- João de Barros (considerado o primeiro grande historiador português, nas “Décadas da Ásia”, publicadas em 1552, 1553 e 1563);
- António Tenreiro (relatando uma viagem da Índia para Portugal, feita por terra em 1529, num texto escrito em 1560: “Itinerário”);
- Frei Gaspar da Cruz (o “Império do Meio”, no “Tratado das Cousas da China”, cerca de 1570):
- Luís de Fróis (sobre o Japão, em “Contradições dos Costumes entre a Gente da Europa e a Província Japão”, de 1585);
- Padre António de Andrade (“O Novo Descobrimento do Gram Cathayo, ou Reino do Tibet”, de 1626);
- Fernão Mendes Pinto (escrevendo com base nas suas aventuras e desventuras no Oriente, de 1537 a 1558, em “A Peregrinação”, o livro de viagens mais famoso da literatura portuguesa, publicado em 1614, mas escrito por volta de 1570);
- Luís de Camões e o poema épico por excelência, “Os Lusíadas”.
Convido-o a acompanhar-me nestas deslumbrantes viagens!
Janeiro 1, 2007 at 12:41 pm
[...] O Leonel Vicente (Memória Virtual, em novo endereço com domínio próprio) oferece-nos, para abrir o ano, uma nova experiência na blogoesfera: uma viagem pela Carreira da Índia bulindo mundo e bulindo pela história. Fica aqui, na íntegra, a apresentação. Excelente começo de 2007, sem dúvida! "Carreira da Índia" foi a designação atribuída à ligação marítima entre Lisboa e os portos da Índia (Cochim e Goa), a qual – após a viagem precursora de Vasco da Gama em 1497/1498 – perdurou durante mais de três séculos (até à centúria de 1800), constituindo-se na maior e mais prolongada rota de navegação à vela. [...]
Janeiro 2, 2007 at 12:59 am
Um belíssimo tema, e uma apresentação que promete… vou viajar por estas paragens sempre que tiver uma oportunidade!
Janeiro 2, 2007 at 11:01 pm
Nestes últimos tempos a temática da India é massivamente procurada (por mim) na internet e afins. De vez em quando encontro um ou outro site que merece que seja adicionado aos favoritos.
Tendo em conta a minha partida para a India (real) já no próximo dia 15 jan, por motivos de estudo, vou ficar para ver mais tarde a india virtual da “Carreira da India”
Boas Navegações!
Mónica Reis
Janeiro 3, 2007 at 1:02 am
Páginas como esta fazem falta na nossa rede.
Vou continuar a passar por cá.
Bom trabalho.
Janeiro 3, 2007 at 9:01 am
Obrigado pelos vossos comentários e palavras de incentivo!
Janeiro 4, 2007 at 6:45 pm
Aceito o convite e já estou na nau.
Já estava, aliás, uma vez que também faço desta temática parte da minha investigação. Dedico-me à cronística manuelina (Gaspar Correia, Damião de Góis e Jerónimo de Osório); estou pois, a navegar em águas familiares, mas com a profundidade oceânica que aqui se promete, virei aprender, seguramente.
Bom trabalho Leonel Vicente.
Anabela Soares.
Janeiro 4, 2007 at 7:29 pm
Obrigado pelo comentário, Anabela Soares.
A sucessão de comentários e e-mails repletos de simpáticas palavras de incentivo aumentam a minha responsabilidade e necessidade de observância de rigor.
Talvez seja oportuno fazer aqui um “disclosure” (eventualmente a ‘promover’ ao corpo principal do blogue):
- Não tenho qualquer formação específica, nem actividade profissional ou de outra natureza relacionada nem com a Literatura, nem com a História.
- Este blogue é apenas o fruto da minha curiosidade em procurar saber mais sobre estas (e outras…) temáticas (como acontece aliás no “Memória Virtual” e, já antes, no “Da Vinci”), potenciado pelo entusiasmo que manifesto com as faculdades desta ferramenta de publicação.
- O seu conteúdo é limitado pelo (escasso) tempo disponível para as pesquisas que vou realizando, assim como pelo material bibliográfico a que tenho acesso.
- Por fim, é ainda condicionado pela característica intrínseca associada à publicação em formato blogue, que apela tendencialmente a artigos de reduzida extensão, necessariamente sucintos, pelo que não deverá ser expectável que os temas sejam desenvolvidos em profundidade.
- Em resumo, não tendo qualquer tipo de pretensão de carácter “científico”, espero poder continuar a contar com as vossas visitas e a partilhar convosco o prazer que vou retirando da publicação deste blogue.
Reitero os meus agradecimentos a todos!
Janeiro 4, 2007 at 7:47 pm
Não precisavas de esclarecer, mas obrigada pela preocupação. Já percebi que és rigoroso nas referências e talvez o aprofundamento seja para se fazer fora daqui, a partir das pistas. Mas as pistas são importants para quem anda nestes trabalhos. Também não sou profissional da investigação, sou professora, de facto na área da História e o tempo que sobra é pouco; ando nisto por gosto e por incentivo ( de facto o incentivo faz muita falta).
No meu blogue não fiz do assunto um tema, aliás tenho uma escrita algo íntima, virada para dentro; de vez em quando sai um texto relacionado com os meus temas ou com outras preocupações… o mais são palavras.
Renovo os votos de bom trabalho e não receies porque quem vem aqui é porque comunga deste gosto e vem por bem.
Um abraço.